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misinterpretation: a weapon

Ao fim de janeiro, a jornalista Rachel Sheherazade, em resposta ao delegado que criticou mulheres em seu Twitter, fez a seguinte declaração:

“(…) No entanto, seu comentário foi realista: revela o despreparo e a falta de vocação de algumas mulheres (e homens também!) para a “profissão perigo” que é ser policial.
O fato é que homens e mulheres não são iguais. Nunca serão!
E qualquer tentativa de homogeneização entre sexos é burra, contraproducente. Nossos cérebros distintos e corpos diferentes se complementam, portanto, não há motivo para travar uma guerra dos sexos.
Mas, se ainda assim, as mulheres insistem em se igualar aos homens devem começar abdicar da conveniente redoma que as protege das missões mais duras e das críticas mais espinhosas.”

Essa manifestação pública de Rachel foi vista como um às nas argumentações de machistas, homofóbicos, reaças e misóginos em muitos veículos midiáticos, como o Facebook e Twitter – se usam deste excerto pra apontar os dedos e dizer “estão vendo?! ela é mulher e disse isso”. Porém, o que eles não sabem ou insistem em ignorar é que o feminismo não é sobre isso.

O movimento feminista não tem como inspiração ou objetivo transformar mulheres em homens. Não queremos que cresçam pênis em nossas pelves, que se extinguam nossas mamas, que se afunilem nossos quadris e se alarguem nossas costas – o nome disso é transsexualidade, que se resume em um transtorno de identidade de gênero e é outro assunto.

O feminismo consiste num movimento filosófico, político e social, cujo intuito é garantir direitos iguais e promover o humanismo desprovido de toda e qualquer norma de gênero, bem como as opressões originárias dos mesmos.
Surgiu pela necessidade de combater e acabar com a violência e abuso contra mulheres; de garantir à elas a integridade e autoridade sobre seu corpo; de conferir o direito à sua autonomia e seus direitos legais – que vão de votar à direitos de propriedade -; pelos direitos reprodutivos – cuidados pré-natais, contracepção e aborto -; direitos trabalhistas – de salários iguais à licença maternidade -; e cessar todos os outros tipos de discriminação que ela enfrenta.[1]
É uma luta para que a dominância sobre as mulheres acabe e que um gênero não sofra opressão em detrimento a outro – que as mulheres não sejam esmagadas pelo patriarcado, do qual alguns homens também são vítimas.

O resultado do feminismo vem desde o início do movimento e se estende até hoje. Houve muitas conquistas e, a exemplo, a jornalista Rachel só pode dar sua opinião e exercer sua profissão na emissora em que trabalha graças ao movimento feminista. Só pôde votar graças a ele e, visto que tem dois filhos, só pôde se dedicar aos primeiros meses dos mesmos em virtude do direito à licença maternidade – e se não o fez, ao menos tinha a escolha.

E não para por aí. O feminismo não abrange só as mulheres, mas sim todos os que são oprimidos mediante preconceito e que são vítimas de desigualdade, como todos os homo e transsexuais, os negros e os pobres. O feminismo busca estender o direito à igualdade para todos, não só para aqueles que são homens, brancos e héteros – e/ou  ricos. Lembrando, é claro, que ninguém quer exterminar os homens, mas sim reforçar e fazer valer os direitos humanos de forma universal.

A homogeneização que a jornalista interpreta como sendo de gênero é, na verdade, de direitos e o engano está aí. O preconceito contra o movimento feminista gira em torno dessa má interpretação. É evidente que, anatomicamente, homens e mulheres jamais serão iguais. Também é possível que suas percepções do mundo sejam diferentes, às vezes – se um homem nunca menstruou, ele jamais poderá ver isso como uma mulher vê. Analogamente, as visões de um homossexual são diferentes do homem e da mulher héteros. E é claro que homens e mulheres se completam. Todas as pessoas, não importa o gênero, classe, orientação sexual, identidade de gênero, etnia e crença se complementam, pois todos fazem parte de uma mesma espécie e compõem a humanidade na busca para compreender a existência e o universo.

A jornalista concorda em parte com o policial, pois interpretou a declaração do último como  reveladora do despreparo de homens e mulheres para a profissão. Sim, pode ser.

Sendo assim, a crítica deveria ser feita aos maus praticantes do ofício em geral, não em relação ao fato de ser mulher. É disso que o feminismo se trata. Queremos que o caráter, a prática e o comportamento de todos os indivíduos sejam avaliados de acordo com suas ações, não com seu gênero, orientação, identidade de gênero, etnia, crença e etc.
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luta pessoal

Pensei muito comigo mesma e decidi que a melhor maneira de dar as boas vindas é uma breve explicação sobre o blog.

Resolvi criá-lo como parte da minha luta pessoal por um mundo mais racional, secularista e humanista. Essa luta parte de mim, dos meus diálogos internos e percepções do meu próprio “eu”; mas é, também, uma batalha partilhada com o resto do mundo: contra e para ele.

Pretendo depositar aqui minha visão de mundo e discussões que, espero eu, sejam relevantes para os assuntos a que me destino e defendo. São eles: filosofia, sociologia, antropologia, feminismo, humanismo, igualdade, razão, ciência e ateísmo.


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